Concorde comigo ou esteja fatalmente errado
14 Jan 2010
Faz tempo que as telas de cinema não vêm um sucesso como Avatar. Em poucas semanas arrecadou quase o mesmo do que Titanic nas bilheterias (veja a lista das maiores bilheterias), o que comprova o talento do diretor James Cameron em contar a mesma história de sempre com os mesmo personagens, mas outro cenário. O problema (para os produtores), é que o sucesso de Avatar expõe a fragilidade do negócio. Vamos por partes.
Avatar é como nenhum outro. Lançado simultaneamente em 2D e 3D com uma direção de arte espetacular, o filme não é apenas um filme. É um acontecimento em várias mídias, sendo que sua versão para vários videogames foi lançada semanas antes da estreia. Até o momento, a produtora Ubisoft não relatou grandes ganhos.
No entanto, devido à depressão generalizada causada pelo filme, é possível que o jogo passe a ganhar momentum nas próximas semanas e, eventualmente, até possa superar o cinema em receita.
Epa, um jogo superando um filme? Sim, isto é normal hoje em dia. O jogo “Call of Duty: Modern Warfare 2” já tem receita estimada de mais de US$ 1 bilhão. O video abaixo, de uma cena do jogo, deixa claro que é uma produção muito diferenciada:
Vale lembrar que um jogo custa em média US$ 60 enquanto que um ingresso de cinema sai por bem menos. Além do mais, um jogo pode ser comprado por qualquer pessoa em qualquer lugar, ao contrário do cinema, que só vive nos centros urbanos.
Ao contrário do sucesso financeiro de Titanic, Avatar conta – e muito! – com salas habilitadas em 3D para gerar mais vendas. Afinal, o ingresso para estas custam bem mais. Em bilheteria, Avatar está bem atrás de outros filmes como o Cavaleiro das Trevas.
Mas peraí, isso não é bom?
Claro que é. Mas note, menos pessoas estão indo ver um filme que rende mais. MENOS gente, não MAIS. Logo, o filme – e de quebra a indústria em geral – é menos popular do que era há 10 anos e muito menos do que há 50.
Neste momento, a indústria cinematográfica sabe que seu ÚNICO diferencial está no conteúdo tridimensional que sequer é oferecido em larga escala. Há ainda poucas salas deste tipo nas grandes cidades e menos ainda no interior.
É provável que apareçam várias produções voltadas para este formato e se ampliem o número de salas. Elas buscam, principalmente o diferencial e a alta receita gerada nestas salas.
No entanto, como as salas 3D são mais caras é menos provável que tenhamos mais salas de cinema do que hoje. Possivelmente teremos menos. Bem, menos. Há ainda o agravante, como apontado por Rafael Ziggy, do Sim Viral, do pouco conteúdo das produções:
“Acho que (o 3D) vai estragar o cinema. Vai aumentar o número de filmes com efeitos demais e histórias de menos.”
Por sinal, você já imaginou um filme do Woody Allen em 3D? Aquela cara de perdedor narigudo de terceira idade avançando até você? Muito pior que o pior dos piores “Sexta Feira 13″.
Hoje então, com a popularização de aluguel de filmes por streaming, a popularização dos home theaters e a pirataria rampante turbinada por conexões de banda larga com 10mb, passa a ser ridículo pensar em se deslocar até um lugar qualquer para ver um filme.
Comparemos os custos:
Aluguel: R$ 5 = assistem quantas pessoas puderem durante 1 dia
Download ilegal: R$ 2 (1 dia de internet) + o serviço de procurar = assiste quantas vezes quiser por tempo ilimitado
Cinema: R$ 12 (ingresso) + R$ 5 (pipoca) + R$ 10 de deslocamento (estacionamento, passagem, gasolina) = para uma pessoa e apenas uma exibição
A opinião de Gisele Honscha se baseia em torno de custos:
“Eu acho que o 3D com um bom trabalho de marketing em cima pode aumentar o lucro da indústria cinematográfica nos próximos anos. Não acredito que será o suficiente para evitar que as pessoas prefiram SEMPRE fazer downloads gratuitamente a ir ao cinema.”
No futuro, será mais ou menos como quando os cinemas de rua migraram para os shopping centers e muitas cidades passaram a ficar sem este serviço. Na ocasião, o que se descobriu é que com TV à cabo + locadoras de qualidade ninguém sente falta de cinema.
Aí com o 3D isso muda um pouco, mas só um pouco. Isto porque as companhias de eletrônicos já estão lançando televisores com imagem tridimensional. Veja uma da Sony em funcionamento abaixo:
Para Alexandre Fugita, do TechBits, é uma espécie de corrida de gato e rato tecnológica:
“Na minha visão o cinema tem se adaptado para não “morrer”, vamos dizer assim. No começo tinha o formato 4:3, daí surgiu a TV que era 4:3. O cinema passou a ser 16:9 e agora o 16:9 e HD passaram para TV comum. Então o cinema inventou o 3D pra se diferenciar de novo.”
Qual a relevância de um cinema neste caso? Nenhuma. Sério, nenhuma. E a maior prova da irrelevância da mídia está na forma com que ela se promove.
Ao invés de falar dos filmes, passam a falar de números. Apenas números.
E se o campeonato brasileiro fosse resumido a isso? “Veja o jogo que mais de 40 mil pessoas pagaram para ver no estádio” seria a chamada dos jogos do Remo no pay-per-view.
O cinema nunca vai morrer, claro que não. Assim como o teatro, os jornais e o rádio, ele irá cada vez mais buscar um nicho específico e ficará lá, resumido à sua decadência.
Esta, claro, é a minha opinião. Nick Ellis, do Digital Drops, pensa muito diferente:
“Acho que o cinema não precisa de salvação, mas o 3D sem dúvida é a onda do futuro”
E qual é a sua opinião? O 3D tem potencial para evitar que o cinema vire teatro ou o rádio?
A Gisele deu mais um pitaco (mulheres sempre têm a palavra final):
“Todos os meios precisam ser reinventados de tempos em tempos. Um novo meio não anula os anteriores, mas as novas formas das pessoas se relacionarem e consumirem mídia faz com que as linguagens e modelos de negócios tenham que ser reformulados a uma nova realidade.”
14 Cervejas for "Avatar, telas tridimensionais e a inevitável decadência do cinema"
O 3D já teve sua época, acho que na década de 60, provavelmente o objetivo na época era concorrer com a televisão.
Eu aposto em um futuro com a tv de tela gigante plugada direto na internet, mas isso vai levar tempo para se espalhar em grande escala. O cinema vai ter uma sobrevida no interior, provavelmente.
O cinema em si não teria tanta perda de público se a demora da chegada dos filmes fosse bem menor, o que acarreta que o público que gosta de filmes em geral busca notícias sobre o que está em evidência, com a demora da chegada nas telonas (isso quando não chega direto em DVD) faz com que o público recorra a meios alternativos para não ficar por fora do assunto.
Além de problemas como o que ocorreu no filme Halloween do Rob Zombie, que depois de um ano de espera dos fãs, foi exibido uma versão retalhada/censurada ao qual retirava todo o sentido do filme.
Como foi citado o preço não favorece na divulgação da mídia, onde uma família de 4 pessoas não gasta menos do que R$50,00 para assistir um único filme, isso sem contar com despesas de lanches, estacionamento.
E ainda tem o fator de falta de senso de social, onde constantemente o cinema é invadido por pessoas (em geral adolescente) que só vai ao cinema para ficar conversando/brincando e não há ninguém que para lhes advertir que estão sendo inconveniente.
Na verdade a arrecadação dos cinemas vai muito bem. Mesmo com toda a pirataria e problemas com copyright os cinemas bateram em 2008 um recorde de arrecadação com 9,8 bilhões de Dólares e em 2009 a cifra estava em 9,67 antes mesmo da estréia de Avatar e Sherlock Holmes. Com certeza a marca de 2008 foi superada.
Se você acompanhar notícias específicas sobre bilheterias verá que em 2009 era relativamente comum ver “filme X bate recorde de bilheteria”. Foi assim com A Era do Gelo3, Lua Nova, Transformers 2 e Avatar só para citar alguns exemplos.
O cinema 3D é a moda do momento e acredito que está sendo empurrada com tanta força pela indústria para forçar donos de salas de exibição a comprarem projetores digitais.
Claro que a indústria do cinema terá que se adaptar para não perder a força, mas dizer que ela vislumbra uma decadência é exagero.
Sobre os filmes em 3D eu fico meio triste com a pressão para que tudo seja em 3D. Um exemplo é a refilmagem de Robocop, que será dirigido pelo talentoso Darren Aronofsky (Requiém para um Sonho). O diretor já deixou claro que não fará o filme em 3D e o estúdio suspendeu o projeto para que ele “pense melhor”. Uma tremenda sacanagem.
Desculpe se falei demais, mas gostei do seu texto e decidi deixar minha opinião.
Abraços
Não estamos vivendo uma banalização do cinema. Estamos passando por uma evolução tecnológica já esperada. O 3D é consequência do mercado e já era esperado. O cinema estava em crise, os lucros estavam diminuindo, filmes estavam dando prejuízo. Isso era de grande ameaça, até que veio o DVD, a possibilidade assistir filmes online, a locação online, o 3D, Blu-ray e novas possibilidades. Isso salvou o cinema. Em 2009 os lucros foram altíssimos. Sim, lucros. Isso é o que importa para Hollywood. Eu me sentiria ameaçado ou com medo de só vir produto descartável no futuro por causa do 3D? Lógico não. O cinema sempre teve seus filmes descartáveis todos os anos, assim como sempre teve suas pequenas obras de artes.
Para citar o ano de 2009 como exemplo, sem o recurso 3D, tivemos excelentes obras:
Simplesmente Feliz
Sinédoque, Nova Iorque
Star Trek
Arraste-me para o Inferno
Se Beber, Não Case
Deixa Ela Entrar
Bastardos Inglórios
9 – A Salvação
Distrito 9
O Desinformante
500 Dias Com Ela
O Solista
Julie e Julia
Sempre ao seu Lado
E com o 3D, tivemos duas animações com roteiros espetaculares:
Up – Altas Aventuras
Coraline
Não adianta querer minimizar o cinema por causa de sua tecnologia. O novo 3D é diferente do antigo. O antigo as coisas saltavam na sua cara, hoje, o 3D faz com que você participe do filme, com que você vá de encontro a tela. É bem diferente.
Tecnologia e cinema sempre andaram de mãos dadas. Todos os anos vão ter filmes que pedem pouco da sua cabeça, mas sempre terão aqueles que vão te destruir emocionalmente.
A curta história do cinema nos ensina que sempre foi assim.
“No entanto, devido à depressão (?) generalizada causada pelo filme, é possível que o jogo passe a ganhar momentum nas próximas semanas e, eventualmente, até possa superar o cinema em receita (?).”
Só por essa frase deu pra perceber que quem escreveu não sabe nada do que está falando.
Abs,
OBS do Bender: Amigo, veja isso http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL1445684-9798,00-FAS+DE+AVATAR+DIZEM+TER+DEPRESSAO+DEPOIS+DE+ASSISTIR+O+FILME.html . Um filme que causa uma impressão tão profunda nas pessoas só pode ganhar momentum.
Gostei de Avatar, tanto da história como do 3D. Vi outro dia uma noticias que já tem mais de 140 filmes 3D em produção, é muita coisa. Não adianta querer ter uma bola de cristal para adivinhar o que vai acontecer, tudo muda e cada vez mais rapido, sobre os roteiros dos filems sempre existiram, os ruins e bons, e assim acredito que vá continuar.
faz parte. abs
Eu ainda não tive a chance de apreciar o cinema 3d, mas eu gostei do Avatar.Eu sei que não tem nada de inédito nem de inovador, mas dá pra se distrair durante algumas horas. Quanto a questão do cinema decadente, eu realmente acho que a tendência é que eles realmente tenham mais dificuldades de atrair o público, principalmente pela questão financeira. Eu acho que o preço de um ingresso de cinema ainda está saindo muito caro em relação ao custo de se alugar ou comprar o filme(e eu não estou falando nem nos piratões).
Vc tem que considerar tambem a monstruosa campanha de marketing do filme. Com o marketing que foi feito mesmo que fosse em 1D seria um monstruoso sucesso, as pessoas funcionam assim
“c” é claro que o marketing massivo ajuda, mas se o filme não for bom o resultado não será tão grande. O “Atividade Paranormal” é um exemplo, tinha propagandas em todos os meios de comunicação, se o filme fosse bom de verdade o boca-a-boca teria aumentado ainda mais o faturamento do filme, mas aconteceu o inverso, quem assistia não recomendava.
Parece que só velhos e casados escreveram sobre cinema… enquanto existirem jovens, solteiros e querendo pegar alguém o cinema sobreviverá.
É, nada mais delicioso que levar a namorada para um cinema, primeiro beijo, primeiro mão no peitinho e estas coisas que vocês faziam a muito tempo atrás.
Jovens solteiros não podem fazer isto nos seus home theaters com tanta facilidade.
Quem viver verá :-)
Penso que as pessoas vão ao cinema por entretenimento social. Conheço muitas pessoas que mesmo tendo a chance de ver um filme pirateado, vão ao cinema com a galera no sábado a noite.
Evidente que pagando meia.
Nossa esse filme é muito bom em vichi loko de mais
eu adorei avatar sou fã de cinema 3d , mas concordo que e um abuso o preços dos cinemas.
ci
Sobre o 3d influenciar filmes com muito efeito e pouca historia, é algo para se despreocupar pois a tendencia a qualidade de resolução melhorar era já esperada. Tanto q hoje se um filme não é muito bom no enredo, pelo menos tem uns efeitos que antigamente nem era imaginado estar nas telinhas.
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