Consumidor convicto de mamíferos quadrúpes ungulados
2 Jun 2006
Mais um texto vindo do fundo do baú, só que esse é também uma espécie de manifesto contra alguma coisa que está muito clara no texto.
Ponto de tráfico
- Que dia é hoje?
- Não interessa
- Otário
- Dez de julho, tá satisfeito agora?
- Tô - ao dizer isto Martinho pensou "caralho", como um bom representante masculino deve sempre fazer. Terminou de preencher o cheque e o mostrou para Henrique, o traficante:
- Beleza assim?
- Não aceito cheque, quero dinheiro.
- Não tenho dinheiro, só cheque. Faz assim, fica com o cheque como garantia, amanhã eu passo no banco e saco um pouco de dinheiro para te pagar este lance.
- Não dá, devolve o esquema. - Henrique já um pouco irritado.
- Não cara, eu preciso disto, tu sabe bem. Pega o cheque.
- Cara eu não confio em viciados, se tu pudesse ficar um dia sem, eu até confiava em ti, mas assim não há condições.
- Eu nunca deixei de te pagar algo, não te devo nada, além do mais este valor nem é muito grande.
- Não rola, não confio, cheque é baseado na confiança recíproca, não confio em ti, portanto não confio no teus cheques. Martinho passou a mão pela testa que começava a suar, preocupado em como ia fazer, como ia dar vazão ao seu vício.
Pensou em roubar um banco, mas tem muita concorrência hoje em dia. Roubar velhinhas não dava, com o que o governo pagava para elas de pensão chega a ser infrutífero. Pirulitos de criança também não é uma boa idéia, pois até elas estão andando armadas e costumam matar os coleguinhas se não emprestam a borracha.
- Que tal se eu deixo o carro e amanhã eu volto aqui te pago e tu me devolve o carro?
- Ué, pode ser, mas um carro por um maço de cigarros é brabo, né Martinho?
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Pega um copo