Mais um dos textos antigos:

Antes daquele dia eles não conheciam o terror, não sabiam como eram felizes. voltando do beco imundo no meio da madrugada chuvosa, passando por mais uma sinaleira, comecei a estranhar um chiado estranho que abafava o som de meu chevette Júnior. Atucanado que fiquei, fui atrás de quem o fazia, peguei à direita na contramão, mas tudo bem, eu não estava nem aí. pisando fundo passei em frente à um bar muito estranho e sinistro, que, apesar de abarrotado de gente parecia frio e sinistro. Dali vinha aquele som xarope. fui até o posto mais próximo e comprei um galão de gasolina, cheio, obviamente. Parei em frente ao bar e gritei “Alguém tem horas?”.

Este tipo de gente não escuta nada que não venha de um semelhante fashion como eles. Foi uma espécie de aviso. Tirei minha camiseta e usei-a como pavio, acendi-a e joguei sobre meu chevette, ele explodiu fantasticamente.

Já era hora de trocar de carro, não agüentava mais perder todos os rachas que disputava, já era a hora de eu ter um Corsa ou um Palio envenenado. O pessoal do bar aplaudiu freneticamente, e alguns mais exaltados vieram me cumprimentar e dizer que esses eram os efeitos especiais mais reais que já havia visto. Perguntei-lhe que horas eram e ele me respondeu, comecei a me sentir mais feliz.

Entrei no bar e o pessoal todo me compartimentava e se apresentava, tratando-me com uma celebridade. Foi nesta hora que conheci Luiza, aproveitando meu status fui e agarrei Luiza, que ficou muito feliz. Logo após lhe menti que ia para o banheiro e nunca mais a vi. Fui até a cabina de som e pedi ao DJ que me deixasse dar um recado, ele solicitamente atendeu.

Perguntei à todos: “O dono do Corsa zero quilômetro estacionado em frente por favor se apresente na cabina de som”. O nome do rapaz era Zenivaldo, mas todos o chamavam de Valdo por ser mais cool, pedi-lhe emprestado o carro dando a desculpa que era para levar Luiza para um motel. Ele gentilmente me passou as chaves do carro e os documentos e desejou que eu fizesse o traseiro de Luiza por ele, lhe menti que o faria sem camisinha e ambos rimos em tom doentio.

Sai dali revoltado, a cor do carro não me agradava de forma alguma, sai derrapando e bati num poste, Valdo disse que tudo estava bem, que eu não precisaria me preocupar com o conserto já que o carro não era meu. Por essas e outras que não uso mais cuecas.

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