Concorde comigo ou esteja fatalmente errado
9 Apr 2006
Era um dia como qualquer outro, melhor uma noite. Eu estava num lugar onde nunca havia estado antes, o que não o torna diferente, pois eu estou sempre variando de lugar. Bom, mas este lugar era diferente porque era um bar numa feira do livro, era um café, para ser mais honesto, apesar de ninguém estar tomando café ali.
Voltando ao assunto o bar já estava fechando, eu consegui reconhecer dali onde me sentava algumas pessoas ilustres, reconheci o Sérgio Assis tomando um café numa ponta com uma moça, provavelmente uma fã sua.
Eu me via então com a chance única de conseguir um autógrafo de um grande escritor, não tive dúvidas. Caminhei vagarosamente, mas confiante, até a ponta onde se encontrava o meu alvo. Ao aproximar-me falei:
- Boa noite, o senhor é o Sérgio Assis? Aquele cronista?
- Sou sim, e tu quem és?
- Meu nome é Daniel. Eu gostaria de um autógrafo seu, o senhor poderia dar-me um por favor?
- Sim claro, onde quer que eu assine?
- Aqui – lhe entreguei um exemplar de Caderno H, de Mário Quintana, disparado meu livro favorito.
- Mas este livro não é meu, é de Mário Quintana, não prefere que eu autografe um livro meu ao invés de outro escritor.
- Pois é, veja bem, eu só tenho este livro comigo, além do mais eu gosto muito deste livro e como o Mário não pode assinar mais, eu pensei que…
- Pensou errado. Eu não vou autografar isto. Autografaria um guardanapo, uma camiseta, uma bola, mas não um livro de outro autor.
- Mas…
- Sem essa de mas, pô isso é um abuso. Eu escrevo livros que eu aposto como tu nunca leste e tu vens aqui tentar me convencer a autografar um livro de outro. Ah, vai procurar outro!!!
- Mas…
Neste momento houve um ataque de compaixão generalizado parecia que todos no café escutaram nossa conversa. Um senhor que estava sentado atrás de mim virou-se e perguntou?
- Se tu quiseres eu assino, afinal autógrafo não quer dizer livro vendido, não é mesmo?
Luís Fernando Veríssimo em carne e osso (e roupas, é bom deixar isso claro) estava sentado ali no mesmo bar. Lhe entreguei o livro do Mário Quintana.
- Também gostava do Mário, é uma pena que ele tenha nos deixado. Agente não pode viver para sempre.
- Obrigado.
- Não por isso.
Pega um copo