Mais um dos textos antigos. Já aviso que esse é um pouco menos descontraído (e mais maoísta) do que os outros.

Heroína, Sangue e Anarquia

É interessante ver como as coisas mudam, no tempo em que eu era jovem me lembro que existia uma coisa chamada democracia, que quer dizer poder do povo, mas na verdade era a ditadura da maioria, um sistema tão injusto que fazia com que as pessoas pagassem impostos, ás vezes com a própria vida, para serem legalmente aceitos na sociedade. Mas a própria democracia se auto-destruiu, as obrigações forçavam o indivíduo à violência.
Por diversos anos consecutivos as populações pagaram menos e menos tributos, um dia o sistema caiu feito dominó. País por país, todos faliram. E com a ausência do poder, acontece o que chamamos de anarquia, a qual ainda persiste.
O nosso sistem a é mais justo porque é mais solidário, não tem obrigações como os outros. Hoje o povo é realmente feliz. Tenho inclusive, uma história para vos contar.

Era uma vez um rapaz chamado Chico, que como todos nós era feliz. Seguindo o exemplo de seu pai, ele era um renomado médico, numa época de livre expressão radical isto queria dizer muita coisa, agradava a todos, no entanto isto lhe desagradava profundamente.
Chico não era como todos, ele não se drogava, por isso talvez tenha contraido algum ódio à nossa sociedade feliz. Hoje em dia todos podemos tomar drogas dependendo de nossa vontade, ninguém pode privar-nos deste direito. O problema é que Chico intensificava sua insatisfação contra as drogas na luta contra a imperatriz de todas as drogas, a heroína. O fato incomodava demais quase todos os setores da sociedade, com razão.
Chico organizou um exército particular com o falso intuito de “salvar os viciados” desta droga “terrível”, na verdade o que ele fazia era catar os de personalidade mais fraca nas ruas e levá-los para fazer uma lavagem cerebral no seu pseudo-hospital. Os indivíduos convertidos então se alinhavam ao exército de Chico.
Como sabeis nossa sociedade não tem leis escritas, mas apenas códigos morais e éticos, e os principais são que nenhum homem pode juntar uma força particular seja qual for o propósito e nenhum homem pode violar a liberdade de outro de forma alguma. Chico violou brutalmente ambas as leis e foi odiado por isto.
Os cidadãos conscientes de seu papel, levantaram-se contra Chico, violentaram seus filhos, degolaram seus pacientes e estriparam os traidores, acertadamente. mesmo tendo sido morto pela mão-de-ferro da justiça, dizem por aí que o espírito de Chico continua a vagar pela noite atrás de almas fracas para “curar”.

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