- Não consigo dormir querida, acho que estou com insônia.
- Merda!
- Merda de quem?
- Não importa de quem é a merda, mas que é uma merda.
- Porque não importa?

- Porquê não é importante, e também porque não é uma merda de verdade, é só uma força de expressão.
- Ah, então se tu gritasse “paralepípedo” ao invés de merda daria no mesmo?
- Pode ser, deixa eu tentar. Paralepípedo!!! Não, não dá é uma palavra muito comprida para gritar.
- Que tal “pé” então?
- Pé?! Não, pé já é curta demais para significar alguma coisa sozinha que não seja apenas um pé.
- “Copo” pode ser, né? Já que não é tão comprida como “paralepípedo” nem tão curta quanto “pé”.
- Mas “copo” não é melhor do que “merda”, pois “merda” é uma coisa grudenta e malcheirosa que não tem nenhuma utilidade, já “copo” é uma coisa útil, que se usa para beber e guardar a dentadura. Não dá para gritar num estádio de futebol “Mas que copo de juiz!!!”. Não funciona bem.
- Pois é, mas “copo” só serve pra isto se estiver inteiro. Qualquer coisa e quebra e só serve para ir pro lixo. “Copo” pode significar algo que se quebrou e não tem remendo, como um juiz de futebol ladrão até as cuecas.
- É, entendo.
- Além do mais “copo” pode ser utilizado em eventos sociais sem o preconceito da palavra “merda”, já que copo todo mundo usa, já toda a “merda” é cagada.
- É mesmo …
- O único problema é que a substituição de “merda” por “copo” pode se tornar perigosa, pois um dia quando ninguém estiver falando mais “merda” podem se formar grupos armados revolucionários pedindo a volta do uso da palavra merda. Se esta substituição ocorrer poderia desencadear até mesmo uma guerra civil.
- Puxa, mas eu não acho que…
- É melhor abandonarmos esta idéia e irmos dormir.
- Passou sua insônia já então, querido?
- Zzzzz.
-

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