Concorde comigo ou esteja fatalmente errado
25 May 2007
O país está crescendo bem, bons fundamentos econômicos e desemprego declinante ou estável. Mas há problemas e o principal deles se chama corrupção.
o movimento atual é resultado de uma tremenda bolha especulativa, inspirada pelo crescimento vertiginoso dos gigantes asiáticos Índia e China, mas isso não vai se sustentar para sempre. Períodos de grande bonança sempre são sucedidos por períodos de crise aguda e nesta década não será diferente.
O estopim desta crise, ao contrário da dos anos noventa, será no Brasil. A Polícia Federal vêm investigando o esquema de venda de votos parlamentares denunciado por Roberto Jéferson em 2006, mas isso é segredo. Nem o atual Ministro da Justiça está à par.
Para quem não sabe, por iniciativa do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, a PF desenvolveu um sistema de investigação independente, sem conexões com os altos escalões do governo. Isso possibilitou a grande série de operações sigilosas e muito bem-sucedidas ocorridas nos últimos anos.
Na época do escândalo do mensalão, vários integrantes da PF decidiram investigar de forma independente toda a ramificação do esquema e, por não ter amarras políticas, conseguiu chegar bem mais fundo do que a espetaculosa CPI dos Correios. Quase todos os deputados da base governista na época estão envolvidos, assim como também estão boa parte do oposicionistas, o que explica o fracasso retumbante da CPI.
Até o final do ano a polícia deve desencadear a Operação Guilhotina que vai prender o Presidente, 15 ministros e praticamente todos os deputados da antiga legislatura (Clodovil está salvo) além de muitos senadores.

A queda do corpo político brasileiro será muito mal interpretada pelo mercado acionário, que provocará uma gigantesca realização de lucros de 14,9% em apenas um dia. Será o pior resultado desde 11 de setembro.
Como um terço do capital investido na Bovespa é de fundos estrangeiros, essas empresas terão de compensar os prejuízos brasileiros com realizações de lucros em outras praças. Todas as bolsas mundiais irão cair entre 5% e 9% no primeiro dia.
Jornalistas farão as contas duas semanas depois do estopim da Operação Guilhotina e perceberão que 35% do valor das empresas brasileiros desapareceu. A velha correlação negativa entre câmbio e bolsa surgirá novamente, e o dólar se apreciará tremendamente, para alívio dos setores exportadores e editores do AdSense.
A queda na confiança dos investidores internacionais nos países em desenvolvimento fará com que o fluxo de capitais para esses se torne negativo e os grandes bancos sejam forçados a exigir o pagamento da dívidas chinesas. Como boa parte desse capital está investido, muitas empresas chinesas de propriedade internacional irão à falência para evitar o calote. Será a derrocada do grande dragão. Se passaram apenas 2 meses da Operação Guilhotina.
A onda de falências na China e na Índia provoca uma tremenda desestabilização política nos regimes ditatoriais. As províncias chinesas do sul do Yangtsé (inclui Xangai, Hong Kong e cantão), mais voltadas para o comércio internacional, acusam o fracasso econômico do Partido Comunista o que provoca uma violenta repressão militar o que diminui o fornecimento de alimentos para o norte do país. Sem fundos para importar alimentos, o povo se rebela e o regime começa a desmoronar.

Na índia, a situação instável atual irá rapidamente se encaminhar para uma retomada do radicalismo hindu. Os religiosos acusam o não-cumprimento das normas hinduístas como responsável pela decadência econômica e atacam a minoria muçulmana. O Paquistão intervém.
No Brasil, os regimes políticos dependem do mandato popular, e alguns setores acreditam que a prisão do presidente tenha sido maquinação dos governadores paulista e mineiro. Ambos negam. Os quartéis, que antes apoiavam o presidente ficam em estado inquieto.
A Argentina, já isolada da economia internacional pelo calote de 2001, não sente o baque financeiro, mas teme pela saúde do Mercosul. Uruguai e Paraguai têm sérios problemas com as fronteiras frágeis brasileiras. O movimento nacionalista guarani consegue expulsar os 400 mil brasiguaios do país, que por falta absoluta de opção, se juntam ao MST.
Um ano depois da Operação Guilhotina, os parlamentares são julgados e condenados. O vice-presidente José Alencar está doente e tem pouca legitimidade popular.
A aguda crise financeira leva ao fechamento de várias empresas agroindustriais por absoluta falta de financiamento e o MST, junto com outros movimentos sociais, invade as propriedades e reclama o terreno para seus membros. O governo, carente de apoio popular, cede e avisa que esse é o maior plano de Reforma Agrária já realizado no mundo.
A safra de grãos é a pior desde 1958 e o dólar acumula ganho de 358% no ano. A inflação volta.
A situação no sudeste asiático piora bastante. O Paquistão invade a Índia, que pede socorro à algumas das províncias chinesas rebeldes. Eles negam. Os Estados Unidos e a União Européia não conseguem contornar a crise por meios diplomáticos e nem a promessa de melhoras no comércio internacional parece esfriar os ânimos.
O governo da Índia, tomado por extremistas hindus, ataca três cidades paquistanesas com armas nucleares. O Paquistão responde imediatamente. A solução para a superpopulação no subcontinente indiano parece ter chego de uma forma súbita demais.

Taiwan acena com a possibilidade das províncias rebeldes se juntarem politicamente ao seu governo, desde que aceitem a democracia taiwanesa. Muitas províncias aceitam, mas Pequim ainda tinha uma carta nuclear na manga e varre a ilha do mapa. É o fim do governo chinês.
Dois anos depois da Operação Guilhotina, o estado de insurreição se alia à fome e ao desemprego. Milhares de paulistas e cariocas ricos fogem do país com destino à segura Argentina e a Europa. O rio Grande do Sul fecha as fronteiras para a movimentação de pessoas. Santa Catarina segue, mas integrantes do MST tomam as prefeituras das principais cidades e assassinam o governador.

O claudicante governo-tampão que assumiu após a morte do vice José Alencar declara extinto o MST e institui a corte marcial em todo o país. Vários estados periféricos recusam os termos do acordo e convocam milícias para defender as fronteiras. É o fim do Brasil.
OBS: esta é uma obra de ficção. Tudo aqui é inventado, assim como o Knutzz inventou aqui.