O livro em uma frase: “Psiquiatra tenta ajudar o seu maior fracasso profissional, um paciente viciado em sexo – durante os seus últimos meses de vida

Como este livro dá margem à várias interpretações, acho melhor falar um pouco mais dele além de uma frase, que sempre ficará incompleta. A mensagem dele, para início de conversa, não é a forma milagrosa como a doutrina de Schopenhauer (ou o budismo, por tabela) pode curar alguém, mas sim como ela pode destruir as possibilidades afetivas de uma pessoa.

A “cura” do título não é a que trata da transmutação de um sujeito viciado em sexo para um celibatário, mas sim a que trata da transmutação de um sujeito incapaz de mostrar afetividade para uma pessoa normal. Schopenhauer, no contexto do livro é a doença e a psicanálise é a cura.

A confusão acontece, na minha opinião, porque as melhores passagens do livro são as citações do filósofo alemão (e do budismo, por tabela) e as pessoas têm a tendência de fixar a atenção na forma dos detalhes (por exemplo: os seios de uma mulher, a franja do apresentador do telejornal) e nem sempre conseguem enxergar e analisar o todo.

Preciso fazer uma observação final, chega a ser irritante essa mania de alguns autores de fazer histórias de ficção se colocando com os heróis/protagonistas da trama. Nesse caso o herói é um psicanalista ateu, de origem judia, como o autor.

A Cura de Schopenhauer, sai por R$ 33,90 no Submarino. Dá para comprar ele e os outros dois best-seller do mesmo autor, Quando Nietzche Chorou e Mentiras no Divã por R$ 99,90, também no Submarino.

OBS: o estilo de vida budista (a busca do nada) é ridículo e só pessoas fracas de cabeça entram nele. Schopenhauer era um deles.