O Clube de Leituras do Biscoito está de volta e para o reinício dos trabalhos o professor Idelber recomendou a leitura do famoso conto “A Loteria da Babilônia”, de Jorge Luis Borges (aqui está o texto completo, em português). O conto faz parte da coletânea Ficções, à venda pelo ridículo preço de R$ 12,10.

Neste conto curtíssimo, Borges faz uma bela metáfora para o azar que é contaminada pelo próprio azar. Explico. Azar (ou sorte, para os otimistas) nada mais é do que a consequência do caos universal. Como Einstein já disse, deus não joga dados, mas isso porque não existe deus e os dados se jogam sozinhos. Ou seja, estamos irremediavelmente entregues ao azar.

Moeda da Babilônia
A sorte é como uma moeda, sempre tem dois lados

Mas voltemos ao conto. Nele a loteria é gerenciada por uma tal de A Companhia (seria o início da Companhia?), envolta em segredo e ligada ao estado. Esta organização é, em última análise, responsável por tudo de bom ou ruim que se passa no reino da Babilônia. Por exemplo, uma pessoa comum pode ser alçada ao panteão (como ganhar uma megasena não pecuniária) ou ser condenada à morte.

A moral da história, no meu entendimento, é que a Companhia é a responsável pelo nosso destino, assim não há sentido em buscar planos e projetos próprios. Dessa forma só há salvação do destino incerto ao fugir do reino, por esse motivo o narrador embarca num navio com destino incerto.

Ele quer ter o poder de decidir sobre o seu futuro, sem dar chance para o acaso.

OBS: eu tenho deixado um pouco de lado as minhas leituras neste blog. Como continuo lendo um livro a cada duas semanas, prometo voltar a postar em breve.

OBS 2: O Milton Ribeiro também fez comentários sobre o conto, diretamente de Buenos Aires

OBS 3: Alguém mais quer ler o conto e dar seu pitaco? Sintam-se à vontade.

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