Concorde comigo ou esteja fatalmente errado
17 Oct 2008
Faz algumas semanas eu recebi o link deste texto (fica sem lincar porque o UOL não linca ninguém: http://revistatrip.uol.com.br/coluna/conteudo.php?i=25613) em que um colunista obscuro de uma revista de adolescente que eu não leio faz uma confissão. Ele teria assediado moralmente a empregada para aplacar seu pinto de 14 anos.
Achei o texto divertido, com bons personagens e tal, mas deletei da memória. Eis que, de repente, comecei a receber e-mails convocando para uma petição online contra o autor e me deparo com 13 links de blogs criticando o texto. Só um fala o que eu falaria, se é mentira é literatura e se não for mentira é crime e literatura.
Caramba pessoal, liberdade de expressão é isso aí. Podemos falar as maiores merdas e as pessoas só tem o direito de criticar a qualidade da merda, não a veracidade da mesma.
Por falar em mentiras na web, neste texto eu digo que bato na minha mulher e neste ela diz que eu a troquei por um PDA. É literatura, só isso.
4 Cervejas for "O “estupro” de Henrique Goldman é totalmente gay"
Cambada de hipócritas. Ficam apedrejando o sujeito que comeu a empregada como se fosse o fim da “moralidade” e da “decência”.
É o que faltava.
Antigas putas são as moralistas de hoje e vice-versa!
Tbm não custava nada o cara colocar uma frasezinha tipo “texto fictício”
Então. Como você mesmo disse, “podemos falar as maiores merdas” – então para que dizê-las? Acredito que o sistema pseudo-intelectual medíocre que estamos todos inseridos fazem as pessoas realmente pensar “oh, como estou sendo chocante e inovador” quando escrevem essas besteiras que não levam a lugar nenhum, não mudam nada, não inovam e tampouco chocam. E qual é a graça de escrever então, se não é pra mudar? Se é só pra publicar besteiras? O texto do Henrique Goldman, sendo fictício ou nao (óbio que nao), não acrescenta em nada. Só perpetua o status quo – ou seja, estupro é pra rir, é pra aceitar, é pra ser feito mesmo, porque homens são assim. Eu não concordo com isso, e você?
Procure algumas estatísticas e verá o tanto de mulheres que sofrem as mais diversas violências, diariamente. Tratar esse assunto como besteira, em tom piadista, é arte? Então hoje em dia para fazer arte basta tacar merda no ventilador e fazer polêmica sem apresentar necessariamente nenhum conteúdo interessante?
E desculpa, mas dizer que esses seus dois últimos textos são “literatura” é muita pretensão.
” Cambada de hipócritas. Ficam apedrejando o sujeito que comeu a empregada como se fosse o fim da “moralidade” e da “decência” ” – Guilherme, se fosse sua mãe ou sua irmã ou sua namorada ou whatever a vítima do estupro, o que você pensaria? Ah, mas foi só uma empregada. Provavelmente pobre, provavelmente negra. Por isso você não liga. Porque você provavelmente é parte da classe média branca heterossexual que “come” a empregada no quartinho dos fundos, mas na rua, sai de mão dadas com a namoradinha-virgem-loira-atriz-da-malhação. Antigamente, era assim, só que entre escravas e patrões. E ainda dizem que o Brasil mudou……
Até mais.
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