Concorde comigo ou esteja fatalmente errado
8 Sep 2009

Considerado o responsável por inaugurar a língua inglesa, o poema épico Beowulf virou filme quatro vezes no espaço de poucos anos. A primeira versão, mais realista e, portanto, distante do original, chama-se “O 13º Guerreiro” .
A segunda e a terceira versão têm o nome da fera, mas uma é desenho, portanto não têm atores, e a outra é protagonizada por Cristopher Lambert. Portanto, também não têm atores.
Já a quarta é tão perturadoramente ruim que terá de ficar para outro post, a ser publicado num futuro muito distante. Nem o nome será citado.
Quem é Buliwyf e o que este árabe está fazendo aqui?

A versão mais antiga é fruto de um desafio auto imposto do escritor Michael Crichton. Ele queria mostrar que a história do herói poderia sim ser verdade. Para tanto ele tirou o dragão, a bruxa e o monstro descendente de Caim.

No seu lugar colocou um árabe e uma tribo isolada de Neandertais em uma sociedade matriarcal (por falar nisso, Fora Sarney). O resultado é o (bom) livro, de leitura facílima, “Devoradores de Mortos” e o filme mediano já citado, protagonizado por Antonio Banderas e com os nomes dos principais personagens alterados. Por isso Beowulf virou Buliwyf.
Para coroar, Michael Crichton usa a mesma artimanha de Dan Brown e jura de pé junto, mas apenas dentro do livro, que tudo é verdade.
Robocop gay na idade média?

O que esperar de um filme produzido pela mesma patota que cometeu Mortal Kombat? Nada, certo? Pois é exatamente isso que eles entregam com sua aventura pós-apocalíptica. O augo do filme foi usar a genial idéia de misturar espadas com elementos eletrônicos.
Se isso já é ridículo em filmes bons, imagine nos medíocres. A única coisa interessante é a direção de arte, mas quem precisa de arte hoje em dia quando temos o DeviantArt à disposição?
Angelina Jolie pelada e dragões em CGI

Abaixo da água ela está sem roupa
A versão mais recente foi toda construída em desenho, mais ou menos como Matrix ou Transformers, mas sem os personagens chatos. Nesta versão, Beowulf é um maluco arrogante que consegue atravessar mares tempestuosos contra o vento mesmo com a vela aberta. Coisa de diretor de arte, com certeza.
Apesar da versão em pixels de Angelina Joline nua e de cabelo comprido, o que salva o filme é o roteiro escrito por gente competente (Neil Gaiman e Roger Avary). Vale lembrar que o objetivo do roteirista é evitar que o espectador se esqueça do filme após os créditos.
Recapitulando: o objeto do diretor de arte é gastar dinheiro, o do diretor do filme é estourar o orçamento e o do produtor é vender pipoca. Os atores estão lá só para vender perfumes e revistas de fofoca, logicamente.
Uma Ceva for "Beowulf ou Buliwyf? A saga de um herói mutilado"
Olá, Dan!
Esse com Banderas eu vi umas duas vezes. É diversão garantida, uma fantasia que convence. É meu tipo de filme pipoca preferido.
E não adianta mesmo reparar muito, sabe. Se a gente pagar de exigente com tudo, não curte nada.
E ótima postagem. Eu não sabia que essa conversa era mais longa.
Abs!
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Pega um copo