Concorde comigo ou esteja fatalmente errado
10 Aug
Independente do contexto e de sua decisão, da qual concordo 100% com o presidente, me assusta esse tipo de declaração:
No dia 31 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que iria usar sua “amizade” com Ahmadinejad para propor que a iraniana tivesse asilo do Brasil. “Se vale a minha amizade e o carinho que tenho pelo presidente do Irã e o povo iraniano, se essa mulher está causando incômodo, a receberíamos no Brasil de bom grado”, disse. (fonte)
Como brasileiro, gostaria de trocar para algo assim:
No dia 31 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que iria usar sua “amizade” com o Irã para propor que a iraniana tivesse asilo do Brasil. “Se vale a minha amizade e o carinho que tenho pelo povo iraniano, se essa mulher está causando incômodo, a receberíamos no Brasil de bom grado”, disse.
Amizade com iranianos pode. Amizade com presidentes malucos não.
11 Sep
Esta semana, o processo de impeachment contra a governadora Yoda Crusius ganhou força e, pasmem, o Piratini (o Palácio do Planalto gaudério) divulgou nota dizendo que o processo afeta a imagem do Estado.
Interessante. Eu sempre achei que a desonestidade institucional fosse mais prejudicial ao Estado. Vejam a resposta do presidente da Assembleia:
“Inédito é o esquema de corrupção descoberto no Rio Grande do Sul”, diz Ivar Pavan
2 Sep
O Brasil é um país esquisito. Por aqui, as pessoas mais retrógradas sempre tem mais voz.
Enquanto que em Novo Hamburgo uma lei municipal proíbe o comércio em domingos e feriados foi aprovada na câmara por pressão dos comerciantes e não da população, que é a maioria, no Congresso Nacional, o digníssimo senador Eduardo Azeredo continua inventando formas elaboradas de diminuir nosso acesso à meios de livre expressão.
A nova jogada, nem importa qual seja, tem o dedo do senador, que acredita piamente na sua própria competência em legislar em favor do público.
Sinceramente? Não senador Azeredo, não obrigado. Eu não quero sua participação aqui e em nenhum outro debate.
27 Aug
Ontem os diligentes profissionais das polícias civil e militar de São Paulo apreenderam cerca de 700 máquinas caça-níqueis em Sorocaba em uma fazenda vazia. Epa, encontraram 700 máquinas sem ninguém por perto a não ser vacas e bergamoteiras? Como isso é possível?
Simples, possivelmente os seguranças, donos, empregados e sei lá mais quem que estava na fazenda fugiram a tempo de não ver a polícia.
Ainda assim, a questão que nunca quer calar é porque diabos essa porcaria de jogo é ilegal e a única resposta racional é que a ilegalidade fornece uma fonte inesgotável de recursos para políticos e policiais.
E não podemos fazer nada para mudar isso, porque o jogo é moralmente aceito ainda que ilegal. Ou seja, as pessoas que jogam em cassinos ilegais não são meliantes e nem são execradas pelas suas famílias ou pares. A única forma é mudar a lei. Ela força boa parcela da sociedade a conviver com a ilegalidade.
O único problema é que as leis no Brasil só mudam quando os políticos querem e eles só farão isso quando tiverem interesse real (leia-se financeiro). Vale lembrar que quem mais se beneficia disso são os políticos e os policiais.
Os primeiros porque têm recursos financeiros à disposição para comprar amigos e montar castelos. Já os segundos porque garantem suas férias na Europa e o carrão importado. É um baita negócio onde só eles ganham, nem os empresários do jogo ganham com essa situação imbecil.
Vale lembrar que, em termos de roubalheira, definitivamente ninguém bate o governo. A Mega-Sena paga míseros 32,2% do total apostado, conforme a tabela no site da Caixa.
12 Aug
A proposta dos nobres reresentantes populares de uso da internet durante as próximas eleições é tão absurda que possibilita constatarmos novamente uma realidade: não existe liberdade de expressão no Brasil. Simplesmente não existe, esqueça o que diz a constituição ou no que acreditam os moradores da zona sul do Rio.
O tal projeto de reforma eleitoral iguala a plataforma de comunicação P2P internet à televisão. Ou seja, diz que é um meio de massa. Acontece que internet não é meio, é plataforma. Meio é blog, portal ou e-mail.
Afirmar em um projeto de lei eleitoral que e-mail deve ser tratado como televisão é um disparate tão grande quanto acreditar na honestidade de (coloque o nome de seu político favorito aqui).
E ainda pagamos o salário desta gente corporativa, malandra, infiel e traiçoeira.
26 Jun
Engraçado, Michael Jackson e Farrah Fawcett escolhem o mesmo dia para morrer, 25 de junho. Coincidentemente, este dia marca o início da Guerra da Coréia, há 59 anos.
Teoria da conspiração? Não! Fato consumado.

23 Jun
Vamos aos argumentos:
O resultado da recontagem foi divulgado nesta segunda-feira quando os Guardiães admitiram que em pelo menos 50 cidades do país houve mais votos que pessoas recenseadas –algo em torno de 3 milhões de votos irregulares.
E também isso:
“Se tivesse ocorrido uma grave ilegalidade nas eleições, o Conselho teria anulado os votos nas urnas, colégios, distritos ou cidades afetadas, como já fez em outras ocasiões em eleições parlamentares”, disse o porta-voz do organismo, Abbas Ali Kadkhodaei, citado pelo canal por satélite em inglês Press TV, vinculado à televisão estatal iraniana. (fonte dos dois parágrafos)
Fica a dúvida, o que seria mais irregular do que 3 milhões de votos falsos? Acabar o jogo e voltar atrás como fez Djalma Beltrami no domingo?
OBS: sim, o campeonato brasileiro é tão importante quanto a eleição maluca do Irã.
16 Jun
O nosso infalível líder teve um dia diferente ontem. Foi pra Suíça falar mal dos protestos alheios.
“Eu não conheço ninguém, além da oposição, que tenha discordado da eleição no Irã. Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos”, disse o presidente, durante uma entrevista em Genebra depois de participar de reuniões na ONU. (Fonte)
Reparem nesta frase antalógica do supremo mandatário brasileiro: Eu não conheço ninguém, além da oposição, que tenha discordado da eleição no Irã.
Então os 39% de iranianos que discordam da eleição por acreditar ter havido fraude são irrelevantes? Sua opinião só contaria caso o lado vencedor também duvidasse do resultado da eleição?
Convenhamos, isso não faz o mínimo sentido.
Como se não bastasse, a antalogia ainda teve uma sessão de crítica ao judiciário brasileiro, que entregou o governo do Maranhão para a família Sarney, este verdadeiro farol da modernidade. Lula ainda não aprendeu que a verdadeira democracia não se estabelece nas urnas (Hitler foi eleito indicado chanceler pela maioria dos votos, afinal de contas), mas nos tribunais.
OBS: correção por sugestão do Jose Eduardo.
5 Jun
Atenção: recomenda-se evitar ler este post caso esteja em Cuba, China, Irã, Arábia Saudita, Brasília ou Coréia do Norte.

Vinte anos depois de um dos momentos decisivos do século XX, percebemos que o massacre em Tian’anmem mudou a China e o mundo. Paz Celestial é, dentro da filosofia chinesa, o lugar onde vivem as divindades, que na prática são os líderes e heróis mortos. Em termos brasileiros, Paz Celestial seria como a casa do Big Brother sem câmeras.
Para comemorar uma data tão importante, que mostrou aos líderes chineses a impossibilidade de democratizar o país “aos poucos”, sugiro montar o seu próprio Massacre na Paz Celestial com produtos fabricados na China. Veja como fazer:
Encomende alguns tanques do tipo soviético e vários Edward Cullen, que estaria fazendo turismo na China durante os protestos.
O resultado é este:

20 Apr
O livraço “As Veias Abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano, citado neste finde pelo comediante Hugo Chavez no meio do Caribe é uma demonstração de como é possível se fazer boa literatura e má história ao mesmo tempo.
Explico. O livro é um grande ensaio do Galeano que explica porque a América Latina é subdesenvolvida e o resto mundo vive bem.
A parte boa é que o Galeano escreve muito, muito bem. Sério, o cara é bom. “Futebol ao Sol e à Sombra” também é fantástico. Recomendo ambos livros.
A parte ruim é que há tantos erros factuais e de interpretação no livro que a parte literária se perde um pouco.
Para quem já leu “Armas, Germes e Aço”, as “Veias Abertas…” parece uma espécie de Harry Potter histórico. Ou seja, muito bem escrito, mas Hogwarts não existe.
Por falar em best seller, depois de citado pelo comediante, “As Veias…” foi parar na lista de mais vendidos da Amazon. Um salto de 460 mil posições.
7 Apr
Semanas atrás postei por aqui algo sobre a espetacular ordem de prisão de um tribunal internacional para um presidente africano. Na prática, a ordem consistia de um bando de europeus dizendo: tu é mau e queremos te prender.
Hoje o Peru sentenciou o seu ex-presidente mais famoso, Alberto Fujimori, a uns 25 anos de prisão. Nada de espetacular, se ele não fosse tivesse sido o melhor estadista da história do Peru.

Fujimori, quando foi preso no Chile
Há alguns anos eu estive no Peru e me apavorei com os comentários de nativos de como era a vida antes do japa assumir. Um senhor disse assim:
Está vendo aquele poste aceso ali na rua? Então, na época da guerrilha, os maoístas da Sendero Luminoso colocavam bombas em todos os pontos de luz da cidade. Com isso, os subúrbios de Lima ficavam na escuridão todas as noites
Detalhe, o fantástico presidente que permitiu a barbárie chegar a este ponto e, de quebra, ainda deixou o país numa inflação aterrorizante é o mesmo que está aí hoje, Alan Garcia.
Além de desmantar a guerrilha usando táticas não muito civilizadas (incluindo sequestros e esquadrões da morte, por isso está sendo condenado), Fujimori também foi o responsável por uma das maiores trapalhadas de relações públicas da história da América Latina.
No início de seu governo, surgiu um surto de cólera no Peru e no Equador. A disseminação da epidemia foi favorecida em grande parte por dois hábitos peruanos. Comer peixe cru (chama-se ceviche e até que é bom) e pescar próximo da saída do efluente líquido de Lima. Sim, eles pescavam em área contaminada por suas próprias fezes, o que é razoavelmente comum no mundo tudo.
Então, no auge da epidemia o presidente da época, o surpreendente ex-professor universitário Alberto Fujimori, foi até uma rua movimentada da capital e comprou uma porção de ceviche de um ambulante e a comeu. Todas as redes documentaram o fato, logicamente, com a intenção de acalmar a população.
É óbvio que Fujimori contraiu cólera logo após e passou alguns dias de cama. Pouco depois, a epidemia foi controlada.
3 Mar
Estou sinceramente adorando este debate copo-meio-cheio/meio-vazio que virou o manifesto e o contra-manifesto contra a “Ditabranda“. O melhor de todo este debate, sem dúvida, é quando artistas como o Latuff misturam polêmica com humor.

“Envia 15 milk-shakes para o porão, por favor!”
Alguns dos blogueiros que eu mais admiro engalfinharam-se (e não foi na lama ou no gel) em argumentos interessantíssimos que me fizeram concordar integralmente com os dois lados sobre o tema Ditabranda. Veja este do Idelber Avelar:
O já infame editorial da Folha, além de insultante à memória das vítimas da ditadura militar brasileira e comprometido com a ocultação da história colaboracionista do próprio jornal, fazia exatamente o contrário do que deve fazer o jornalismo: ele desinformava, contava uma mentira. Qualquer bom professor de história do primeiro grau sabe que não há nenhuma tradição bibliográfica de uso do termo “ditabranda” para designar o regime militar brasileiro, a ditadura de 1964-1985. Aos escrever as chamadas “ditabrandas” -caso do Brasil entre 1964 e 1985, o jornal simplesmente mentia aos leitores. Não “errava” ou “tinha um ponto de vista diferente”. Mentia, pois a ditadura brasileira não é “chamada” de ditabranda por ninguém. Não era, pelo menos, até o dia 17 passado.
Caramba, concordo plenamente com ele. E também concordo com o Gravataí Merengue:
E então vejo Emir Sader, notório entusiasta da DITADURA Cubana liderando um abaixo-assinado na Internet porque a Folha ousou empregar o neologismo “ditabranda“. Ridículo. Ele não está só. Quantos amantes da selvageria de Fidel não aproveitaram para vociferar contra o jornal? Não consigo contar.
Mais um voto de inteira e absoluta concordância.
26 Oct
Hoje está rolando o segundo turno para o cargo de prefeito de algumas cidades brasileiras, com isso um assunto extremamente relevante volta à tona. O voto facultativo.
A necessidade de flexibilizar se torna clara quando se pensa no impacto do voto obrigatório nas eleições e na cabeça dos eleitores. A obrigatoriedade faz com que o voto seja muito barato, pois não demanda esforço nenhum de ninguém, com exceção de menores de idade e pessoas idosas.
Explico melhor. Para ir votar geralmente é preciso investir tempo e dinheiro para deslocar-se, mas para justificar o voto se gasta ainda mais e não votar ou justificar tem um custo ainda maior. Portanto, todas as alternativas ao voto são mais caras.
Por esta lei rígida e antiquada, exercer o direito de votar funciona como um imposto não-monetário sobre todos os eleitores.
O pior, na prática, não é isso, é como as pessoas fazem para escolher seus candidatos. Como todos são obrigados a votar, os candidatos sabem que se trata de um concurso de beleza, no qual os candidatos com menor rejeição tem mais chances.
Além disso, os candidatos sabem que o principal não é convencer os eleitores de suas idéias ou propostas, mas fazer com que memorizem os seus números. O voto obrigatório faz com que a eleição se torne uma competição de “recall”.
“Recall”, para quem não sabe, é o termo que se usa em publicidade para a memória que certa peça deixa no público. Ou seja, o voto obrigatório transforma os candidatos em sabonetes. E não, não tenho nada contra sabonetes.
E o voto facultativo?
Os defensores do voto obrigatório dizem que a possibilidade de não votar iria entregar as eleições nas mãos dos militantes. Ou seja, apenas os mais interessados em política iriam votar. Seria uma “democracia de xiitas”.
Eu não vejo problema nenhum em deixar apenas as pessoas que se interessam por política votar. E vocês?
2 Oct
Ontem um certo Gabriel deixou mais um comentário no post sobre como seria um Rio Grande do Sul hipoteticamente independente do Brasil. O site que ele usou como referência é este, um apanhado de vários textos introdutórios razoavelmente coesos sobre separatismo do Estado.
Esta é a apresentação dos caras por eles mesmos:
O MRR, sigla para Movimento Pró República Rio Grandense, é um movimento pacífico, composto por pessoas que têm em comum o ideal da independência política e administrativa para o Rio Grande do Sul, hoje um estado da República Federativa do Brasil.
Apesar de admirar a força de vontade deste grupo, continuo afirmando que as raízes deste movimento é um certo elitismo. Gaúchos se acham melhores do que os outros brasileiros.
E talvez sejam, mas apenas pelos seus critérios egocêntricos. O separatismo promovido pelo princípio da auto-determinação (todo o povo tem direito a ser livre caso deseje isto democraticamente) não faz o mínimo sentido no contexto gaúcho pelos seguintes motivos:
- não há no RS um núcleo histórico idependente do Brasil (não fosse o resto do país, possivelmente o Estado seria possessão argentina);
- não há problemas de identificação cultural, política ou racial com o Brasil (há descendentes de africanos assim como também há de alemães, como no resto do país);
Por fim, IMHO, é sempre melhor agregar do que separar. Isso simplifica a vida de todos, inclusive de jogadores de futebol catarinenses, como o Falcão , que ficou conhecido no futebol atuando por uma equipe gaúcha.