Bender 2.0

Concorde comigo ou esteja fatalmente errado

Arquivo de posts para categoria: ‘Leituras

O homem dinheiro da blogosfera brasileira, o Conrado Navarro, dono do excelente Dinheirama, cometeu a suprema heresia: usou fibras de árvores mortas para publicar uma versão linear de suas dicas de finanças pessoais e ensinar aos seus leitores de uma vez por todas como ganhar dinheiro, ficar rico, magnata e milionário ao mesmo tempo.

Sim, ele publicou um livro.

Sim, o livro deve ser bom (não li ainda) e sim, “Vamos falar de dinheiro?” já está à venda. ATENÇÃO: Quem comprar usando o código DINHEIRAMA até o final de julho ganha desconto de 30% e ainda concorre a alguns mimos. Mais detalhes aqui.

Como eu disse, o livro é uma extensão do blog, mas não somente, posto que a mídia livro permite abordar conteúdos de forma mais linear e aumentar exponecialmente as suas chances de ficar rico como o Silvio Santos, o José Sarney ou o Pelé.

Nas palavras do Navarro:

Vamos falar de dinheiro?” traz respostas para estas e muitas outras perguntas sobre dinheiro, planejamento financeiro, investimentos e economia. Escrito em linguagem acessível, sem “economês” e por meio de questionamentos enviados por leitores como você. Os temas são abordados de forma progressiva, em discussões que vão desde a educação financeira até o planejamento da aposentadoria, passando ainda pela compra de carros, imóveis e decisões de investimentos.

OBS: post deveras patrocinado por um exemplar autografado do livro :)

O livraço “As Veias Abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano, citado neste finde pelo comediante Hugo Chavez no meio do Caribe é uma demonstração de como é possível se fazer boa literatura e má história ao mesmo tempo.

Explico. O livro é um grande ensaio do Galeano que explica porque a América Latina é subdesenvolvida e o resto mundo vive bem.

A parte boa é que o Galeano escreve muito, muito bem. Sério, o cara é bom. “Futebol ao Sol e à Sombra” também é fantástico. Recomendo ambos livros.

A parte ruim é que há tantos erros factuais e de interpretação no livro que a parte literária se perde um pouco.

Para quem já leu “Armas, Germes e Aço”, as “Veias Abertas…” parece uma espécie de Harry Potter histórico. Ou seja, muito bem escrito, mas Hogwarts não existe.

Por falar em best seller, depois de citado pelo comediante, “As Veias…” foi parar na lista de mais vendidos da Amazon. Um salto de 460 mil posições.

Depois de ler As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, cheguei a uma conclusão óbvia e definitiva. Raskólnikov ainda é um viadinho e Holden Caulfield continua um idiota.

Simplesmente não deixe de encarar este mega clássico feito originalmente para crianças, mas que, assim como Harry Potter, se presta a uma leitura mais madura.

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  • Há duzentos anos, antes da chegada da Família Real portuguesa, o Brasil não passava de um território colonial. Ao contrário das colônias espanholas ou inglesas, por aqui só meia dúzia de atividades eram permitidas pela metrópole Portugal. Mesmo assim, naquele momento, a colônia tinha uma população parecida com a metrópole e era a responsável por maior parte do faturamento do reino.

    No Brasil pré-1808 não havia estradas, não havia fábricas, não havia bancos, não havia nem dinheiro. A sociedade dependia do escambo para se desenvolver economicamente.

    Além disso, escravos fugidos e libertos tinham dificuldade de ganhar a vida e tinham apenas duas opções. Ou fugiam para quilombos no interior ou atazanavam a vida dos cidadãos das cidades, tornando as cidades coloniais verdadeiros infernos de falta de segurança.

    Por falar em cidade, planejamento urbano e iluminação pública eram dois termos mais apropriados para tratados de ficção científica na côlonia, já que não existia nada próximo disso. Aliás, livros também não podiam entrar no país para evitar a disseminação de perigosas idéias francesas.

    Esta situação não era tolerável por uma corte e um governo vindo do outro lado do Atlântico e logo começaram a entrar bens e produtos fabricados na Europa. No início eram apenas os ingleses, mas os brasileiros começaram a receber produtos franceses depois da morte de Napoleão.


    Dom João VI, o rei com dois beiços

    O que temos hoje no Brasil é, em grande parte, fruto das decisões tomadas naquela época, duzentos anos atrás, quando um rei covarde (e que nunca tomava banho) decidiu que era mais fácil fugir levando todo o governo de um país europeu decadente para o seu vasto e inexplorado território no hemisfério sul.

    Todas as informações deste post saíram do livraço 1808, de Laurentino Gomes. Mais um livro que eu indico para todo mundo. Ele é bom de ler, divertido e inteligente, portanto é tudo de bom.

    Aproveite para comparar preços do livro aqui.

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  • …o Rafael Arcanjo.

    Vejam como foi feito o sorteio do livraço Histórias de Presidentes


    - foram 24 inscritos (maldito número morroidético!);
    - coloquei todos os números, de 1 a 24, no List Randomizer do Random.org;
    - pedi para ele randomizar a lista;
    - número nove foi para o topo da lista;
    - já mandei um e-mail para ele me enviar o endereço

    Alguns comentários que eu achei dignos de nota:

    Renata Cordeiro disse:

    “Jânio Quadros, não fez nada, não mandou nada, fez um monte de besteira como todos os outros, mas pelo menos era engraçado”

    Wendell Oliveira disse:

    “Meu preferido foi Tancredo Neves. Teve um começo digno :-)”

    Johannes disse:

    “Collor!

    Porra, o cara era um fodão! Quem mais teria a audácia de tirar o dinheiro da poupança de geral? Gênio!”

    Fanny Webber disse:

    “Claro que é o Lula.

    O cara ampliou os níveis das piadas presidenciais, chegou a exportar sua imagem para a Espanha.”

    Waldir Castanho Filho disse:

    “O meu presidente preferido, entre todos, foi o Emílio Garrastazu Médici, por volta de 1973 na escola tinha bandeira nacional, hino nacional para a mulecada ouvir e parecer acordada mas merenda nem tchongas – tocavam aquele hino para seu cérebro pegar no tranco e parecer que estava acordado.
    A professora dava parabéns você não sabia nem porquê, nem o que estava fazendo ali, a mulecada tudo meio morto de fome. Médici é o que eu gosto mais – porquê vivi sua época e ele está MORTO! BEM MORTO, LAZARENTO, E ESPERO QUE NÃO EXISTA REENCARNAÇÃO PARA NAO TER PERIGO DE TOPAR O MALA DE NOVO. É isso. Gosto dele porque teve a decência de morrer bem mortinho.”

    OBS: sim, eu só me toquei que poderia ter colocado o nome de cada um no randomizer depois de ter feito o sorteio. Infelizmente, refazê-lo não seria correto.

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  • Você que está cansado de ler a mesma Revista MAD de 2005 no banheiro finalmente tem uma grande chance de faturar uma leitura MUITO mais interessante e igualmente engraçada. Aquele exemplar do livraço História de Presidentes que eu comentei ontem foi enviado gentilmente pela editora para ser sorteado entre os leitores.

    Para participar é fácil. Os leitores não-blogueiros podem deixar um comentário aqui até 31/10 dizendo qual é o seu ex-presidente brasileiro favorito. Vale tudo, inclusive Collor, Itamar e Deodoro da Fonseca.

    Já os blogueiros podem participar fazendo um post explicando qual é o seu ex-presidente favorito e o porquê. Depois de publicado, basta enviar o URL via formulário de contato até 31 de outubro.

    Repetindo, deixe um comentário ou faça um post até 31/10 dizendo quem é o seu ex-presidente favorito e concorra a um exemplar grátis do livraço História de Presidentes.

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  • Acabo de ler o livraço “Histórias de Presidentes“, sobre a vida pública e privada dos mandatários do país durante a fase do Palácio do Catete.

    Lembrete para quem colou na escola: o Palácio do Catete foi a sede do governo federal durante as primeiras décadas da república, desde o final do século XIX até 1960 quando decidimos nos afastar das praias e abraçar o cerrado.

    Este exemplar, recebido como cortesia da editora Ediouro meses atrás, é uma reedição do original, lançado um pouco antes da eleição presidencial de 1989. A intenção da autora Isabel Lustosa era fazer um apanhado da relação dos supremos mandatários da nação durante a fase da república carioca.

    Ao invés disso, o trabalho se tornou muito mais amplo. O leitor mais atento vai aprender muito da história deste país e perceber as sutilezas no caráter de cada um. Se hoje em dia as más línguas comentam sobre a tolerância de Lula ao álcool, naquela época não era muito diferente.

    Quer dizer, ao invés de piadas diretas, os intelectuais (na virada do século, só meia dúzia de pessoas tinha acesso a jornais) da época faziam “poesias” para satirizar o chefe do poder executivo. Veja este poeminha sobre o governo Afonso Pena:

    Iaiá, eu sou fazendeiro,
    da grande Miná Gerá
    E venho no Rio de Janeiro
    negoços grandes tratá
    Ora aqui ´stá
    ora aqui ´stá
    Hei de sê chefe primeiro
    na grande capitá federá

    Além dos poemas há também as caricaturas de vários períodos e muita, mas muita informação sobre como era o país e a cidade nessa época que, esperamos todos, não deve voltar mais.

    Quem estiver interessado no livro pode ler um trecho dele neste PDF, comprar “Histórias de Presidentes“no Submarino ou voltar aqui amanhã e participar do incrível sorteio de um exemplar do livro.

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  • Acabo de ler “Declínio e Queda do Império Romano” e tenho uma coisa a dizer sobre este livraço: os romanos assinaram o atestado de óbito quando decidiram parar de massacrar povos inocentes nas fronteiras de seu vasto império.

    Ou seja, viraram mulherzinhas.

    Essa também é a tese do Eduardo Gibão, autor do livro. Os pontos interessantes levantados por ele para a queda do Império são:

    - o império começou a ruir quando abandonou o sistema republicano e abraçou o absolutismo;
    - o cristianismo ajudou a ruir com as fundações do império não por conta do oferecer a outra face, mas por promover a intolerância, o fanatismo, e ser uma seita apocalíptica e anti-militarista (na época);
    - Gibão não sabia que o Império Chinês SEMPRE foi maior em população, área e economia do que toda a Europa unida. Em vários pontos ele diz que nunca na história da humanidade houve cidade como Roma, sendo que Marco Polo descreveu uma metrópole bem maior séculos antes de Gibão nascer.
    - o segundo pior erro do império foi ter parado de se expandir;
    - o pior erro do império foi ter aceito entre suas fronteiras tribos de bárbaros como colonos.

    Mas espere, compre o livro agora pela bagatela de R$ 120 e ganhe um Johnnie Walker Red Label de brinde.

    Gibbon e Johnnie, unidos para sempre

    Gibbon e Johnnie, unidos para sempre

    OBS: adoro essas recomendações do Submarino!

    OBS 2: não leia antes de dirigir.

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  • O 20 de setembro vem chegando aí e a gauchada já começou a ficar ouriçada, querendo sair na rua pilchada, cantar “Querência Amada” em plenos pulmões e insistir que Falcão foi melhor do que Pelé. Bem, particularidades culturais à parte, considero que qualquer movimento independentista gaúcho é extremamente estúpido. Eis porquê:

    Economia

    - um país funciona como uma grande zona de livre comércio. Fazer parte do país significa ter acesso a um mercado de 190 milhões de pessoas sem necessidade de exportar;
    - também se trata de zona de livre trânsito de pessoas. Podemos ir para Santa Catarina com facilidade e vice-versa. Conheço muita gente qualificada que veio de outros estados, mas apenas meia dúzia de uruguaios ou argentinos;
    - esqueça o Pólo Petroquímico, a REFAP, a indústria calçadista do Vale do Sinos ou metalúrgica da Serra. O primeiro é um federal, o segundo só faz sentido se há petróleo (e não tem no RS), o terceiro e o quarto precisam – e muito – de acesso aos mercados;
    - aliás, até o crescimento do sul do Estado (Pelotas) não teria acontecido simplesmente porque não haveria mercado interno para consumir todo o charque produzido por aquelas bandas;

    Demografia

    - hoje o Estado tem mais de 11 milhões de habitantes, mas como seria se milhões de gaúchos não tivessem emigrado para colonizar Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e outros estados? Provavelmente seria bem mais habitado e, não podemos nos esquecer, com um movimento de colonos sem terra bem mais forte;
    - devido a isso, possivelmente a serra e a fronteira seria mais povoada;
    - um país com poucas oportunidas, mas concentrado geograficamente tem muita facilidade em educar seu povo. O problema é que maior parte dos gaúchos jovens e qualificados faria como o uruguaios e emigraria para o Brasil, Argentina, Europa ou EUA;
    - aliás, pensando bem, o RS teria tido uma dificuldade grande de atrair imigrantes europeus por absoluta falta de recursos. Uma saída seria investir nas levas de asiáticos, o que mudaria bastante o cenário atual;

    Cultura

    - A tradição campeira gaudéria possivelmente seria mais branda, pois não haveria necessidade de contrapor-se à brasilidade dos meios de comunicação.
    - Por outro lado, as diferentes culturas seriam mais fragmentadas dado a maior liberdade necessária para reter esta gente no Estado. Possivelmente teríamos muitos falantes nativos e jovens de italiano, alemão e espanhol (hoje a maior parte é idosa, os jovens só aprendem as outras línguas na escola ou em cursos especiais);

    Esporte

    - Grêmio e Inter iriam se revezar no topo de um campeonato desimportante e desqualificado, o que os daria tempo para participar de competições internacionais e conquistar muitos títulos;
    - um gaúcho nunca iria ganhar medalhas de ouro nas olimpíadas, a não ser que treine nos EUA, Japão ou qualquer outra potência esportiva desde criança;

    Como é de praxe, qualquer comentário ofensivo será apagado, a não ser que seja muito engraçado.

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  • Espaço, um lugar bem tranquilo

    O livro em uma frase: Grupo de astronautas explora misteriosa espaçonave gigante cilíndria e oca que atravessa o sistema solar a uma velocidade assombrosa.

    O fato é que ninguém conta uma história como o Clarke. O cara inventou essa maluquice de enviar para o espaço estações de retransmissão para sinais de telecomunicações (viabilizando o nosso mundo globalizado de hoje em dia) e escreveu alguns dos melhores romances de ficção científica da história. Entre eles: “Encontro com Rama”, “A Cidade e as Estrelas” e “2001: Uma Odisséia no Espaço”.

    Neste livro o que impressiona é a absurda verossimilhança da história com a realidade. Não há nenhuma tentativa de física absurda e, na verdade, o livro é uma grande aula de astronomia, física e sociologia.

    Rama, para se ter uma idéia, seria uma espaçonave em forma de um cilindro de 50 quilômetros de comprimento e 16 quilômetros de diâmetro. Em seus 10 mil quilômetros quadrados de área interna caberiam quatro cidades de São Paulo.

    Uma imagem do interior de Rama fonte: Wikipedia
    Rama

    Quando terminei de ler o livro pensei “taí um candidato a filmaço” e eis que há uma produção agendada para 2009 baseada no livro (veja o site do filme) estrelando Morgan Freeman e com direção de David Fincher, o mesmo cara de Seven e Clube da Luta.

    Sexo Anal, o nome do primeiro livrinho do Luis Biajoni (é um livro pequeno mesmo) é extremamente adequado para a história. Neste livro, o mais importante é o que cada um faz com o seu orifício (e o dos outros), mas a quantidade de trocadalhos geradas com o título chega a ser monstruosa.

    Inicialmente lançado apenas em PDF para download gratuito, agora os simpatizantes de Sexo Anal podem levar na bunda uma versão pocket. Sério, vejam a montagem:

    Sexo na web

    Enfim, no começo do livro a história parece ser de amor, depois vira para um policial, volta para amor e no final percebe-se que a coisa é bem mais profunda do que parecia. Sim minha gente, é o Sexo Anal em profundidade filosófica!!!

    Resumindo o livro em uma frase: jornalista policial descobre que, ao contrário dela, outras pessoas sofrem muito com o desejo de sexo anal.

    Enfim, é um livro bom de ler e bastante divertido com excelente relação custo-benefício. Recomendo.

    OBS: link para o PDF gratuito retirado por pedido do autor.

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  • O Ingênuo, de Voltaire

    O Ingênuo

    Resumo compacto: Sujeito criado na floresta por índios descobre que a França é um lugar muito mais selvagem, cruel e desumano do que o vazio canadense.

    Neste livro Voltaire destila todas suas críticas sobre os costumes da França e do catolicismo, os comparando com os da Inglaterra e dos índios canadenses. Em certo ponto os personagens discutem qual é a forma de se promover mais rapidamente na burocracia estatal. A conclusão é que oferece favores sexuais da esposa mais bonita sempre chega mais alto.

    Recomendo comprar O Ingênuo ou baixar de graça no domínio público

    Cândido

    Resumo compacto: alemão tenta levar a sério a filosofia de que este é o melhor dos mundos possíveis, mas a vida é cruel demais para ele.

    O livro é uma crítica a um filósofo alemão que apareceu com essa baboseira. Nem vou colocar o nome dele aqui em solidariedade ao voltaire. Basta dizer que Cândido se apaixona pela dona de um castelo mas é banido do feudo porque não tem 97 gerações de nobres na família, é expulso de casa, surrado, alistado em uma guerra que não é sua, expulso novamente, preso, condenado à morte, solto, passa fome, mata duas pessoas, foge para a Argentina, foge para o Paraguai, foge para o Eldorado, fica biliardário, é roubado e perde tudo, é preso, é solto, consegue se casar com sua amada já deformada por seguidos estupros e tentativas de assassinato e mesmo assim conhece gente muito mais infeliz no caminho.

    Recomendo comprar Cândido ou O Otimismo ou baixar de graça no domínio público

    Guerra contra os livros escolares

    Tá certo que depois de passar anos e anos debruçado sobre livros escolares acabam gerando um certo desconforto na relação SUJEITO X LIVRO, mas tem gente que exagera na importância dada aos livros escolares. Ignorância é ignorância e qualquer adulto responsável irá atrás das informações relevantes para si em outras fontes. Os irresponsáveis sequer se lembrarão que tiveram livros escolares, claro.

    No Brasil, há a controvérsia de que um livro de história seria brando demais e demenos com o regime ditatorial cubano ao mesmo tempo. Sério. Nota-se que um debate é desqualificado quando dois blogueiros de opinião em geral antagônica, Idelber e Kenji, tem observações parecidas sobre a coisa.

    Lá fora, cem mil japoneses protestaram pelo canetaço do Ministério da Educação que exigiu a retirada de (mais) um detalhe desabonador sobre o Império durante o final da II Guerra Mundial. Na versão original, o texto falava que o exército distribuiu granadas aos moradores para que se matassem caso eles perdessem a guerra e muitos teriam realmente feito isso (facilitando muito a ocupação norte-americana, diga-se de passagem).

    Em outro caso, este menos escolar, os chineses decidiram censurar manualmente cópias do Lonely Planet China com fitas colantes. Haja paciência oriental. Felizmente eu comprei o meu exemplar em Hong Kong, onde a censura chinesa não entra.

    Lonely Planet censurado

    OBS: por falar em Lonely Planet, a BBC acabou de adquirir a companhia. Essas estatais, tsc, tsc…


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